O conceito de novas tecnologias está associado à utilização do computador pessoal e sua progressiva transformação em ferramenta de utilização nos processos de expressão e comunicação da subjetividade. Pela primeira vez na história, o homem dispõe dos suportes para registrar, armazenar e recuperar, de uma só vez, um mix de informação que combina, numa espécie de sincretismo digital, texto, imagem estática e dinâmica e sons dissolvidos em um mesmo código comum: o código digital. Esta linha de pensamento é adotada igualmente por Santaella em Matrizes da linguagem e pensamento quando, em seu capítulo VIII, escreve sobre as linguagens da hipermídia:
Propiciada, entre outros fatores, pelas mídias digitais, a revolução tecnológica que estamos atravessando é psíquica, cultural e socialmente muito mais profunda do que foi a invenção do alfabeto, do que foi também a revolução provocada pela invenção de Gutenberg. É ainda mais profunda do que foi a explosão da cultura de massas, com seus meios técnicos mecânico-eletrônicos de produção e transmissão de mensagens. Muitos especialistas em cibercultura não têm cessado de alertar para o fato de que a revolução teleinformática, também chamada de revolução digital é tão vasta a ponto de atingir proporções antropológicas importantes, chegando a compará-la com a revolução neolítica. Para se ter uma idéia das conseqüências trazidas por essa revolução, basta dizer que a nova ordem econômica, social e cultural mundializada não seria possível sem ela.
O contexto da formação dessa revolução, tal como nos mostra Santaella, se converte num novo dado para a reflexão, pois os suportes que acompanham os processos de informação nessas novas tecnologias se convertem em abismos de profundidades que antes de sua existência não podiam ser pensados, a não ser em peças de ficção. Dessa forma, o atual conceito produtivo de novas tecnologias, expresso na nova linguagem da hipermídia, possui um desenvolvimento que se organiza numa escanção em três tempos, os quais organizamos em uma discussão prévia para a consideração da hipermídia como uma nova forma de pensamento, (linguagem) e o enlace com ela de a presente perspectiva de pesquisa sobre o tridimensional. Inicialmente, de forma resumida, enfocarei o que chamo de a proposta do hipertexto, especialmente caracterizando seu valor dentro do caminho de formação da hipermídia, situando o valor do incremento nos anos noventa dos recursos multimidiáticos na formação do mundo digital para podermos caracterizar o advento da hipermídia como uma nova linguagem no plano do digital.
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